Carnaval em Podence

CARNAVAL

O Carnaval é uma das celebrações mais aguardadas em Portugal, marcando o calendário festivo com uma explosão de cores, música e alegria contagiante. Este evento é tão festejado, que em algumas zonas é decretado feriado para que as pessoas possam aproveitar o Carnaval ao máximo.

CARNAVAL DE PODENCE
O Carnaval de Podence, conhecido como Entrudo Chocalheiro, é uma celebração tradicional que ocorre anualmente na aldeia de Podence, no nordeste de Portugal. Reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, este evento destaca-se pelas figuras emblemáticas dos Caretos. As festividades incluem desfiles, danças e outras atividades culturais que envolvem toda a comunidade local.

CARETOS
Pensa-se que a tradição dos Caretos tenha raízes célticas, de um período pré-romano. Provavelmente, está relacionada com a existência dos povos Galaicos (Gallaeci) e Brácaros (Bracari) na Galiza e no norte de Portugal.

Careto é um personagem mascarado do carnaval de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal, com destaque para Podence. É um homem que usa uma máscara com um nariz saliente feita de couro, latão ou madeira pintada com cores vivas de amarelo, vermelho ou preto. Numa outra versão, em Lazarim a máscara é feita de madeira de amieiro decorada com chifres e outros apetrechos.

A origem dos mascarados liga-se ao culto dos antepassados, considerados detentores privilegiados de poderes sobre as bases essenciais da sobrevivência do indivíduo no plano físico e mental, velando pela fertilidade dos campos, pela fecundidade dos homens e dos animais, pela manutenção da lei cívica e moral, e da origem por eles modelada e estabelecida. O mascarado assume-se como a personagem central, em torno da qual toda a ação festiva se desenrola, desempenhando os mais variados papéis, consoante o determina a tradição e ritual de cada lugar.

TRAJE

Os Caretos vestem fantasias próprias. Os trajes destes diabos transmontanos são feitos de colchas vermelhas, decoradas com franjas de lã colorida, e máscaras angulares de folha de zinco, encarnadas, podendo ser ornamentadas com tinta. Por cima da cabeça, cobrem-se com um capuz de onde sai uma longa cauda, também ela usada como catalisadora do ato sexual aqui simbolizado. E depois, à cintura, o que mais importa, uma alinhada colecção de chocalhos e os seus repiques, os quais ouvimos sempre que, em grupo, os Caretos, quase todos solteiros, aceleram em direção às mulheres[.

MÁSCARA

A máscara é um elemento que, temporal e espacialmente, conhece uma enorme representação e um universalismo que nenhum outro testemunho material da cultura humana iguala. Através dela o mundo dos deuses e dos mortos instaura-se temporariamente entre os homens — ela encarna o princípio do jogo da vida.

Os ritos solsticiais são os que os mascarados celebram no decorrer do ciclo dos doze dias, num primeiro momento, Natal e Santo Estêvão — solstício de inverno, e num segundo momento o carnaval, vindo sequencialmente do primeiro, através dos ritos simbólicos, em muito semelhantes pela transferência de celebrações do solstício para o equinócio da primavera. As festas dos mascarados são ritos do mais profundo esoterismo e simbolismo que resistiram à passagem do tempo e se conservam bem vivas na cultura do povo da região do Nordeste Transmontano.

Bibliografia Careto

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